“Maternando” na Suécia por Ivanice Maia

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“Quando o assunto mudar de país chegou lá em casa eu estava grávida do meu segundo filho, mas ele nasceria em solo brasileiro!
Desde o inicio a minha maior preocupação era como seria o sistema de saúde para os pequenos, pois tenho dois filhos: Elisa de 2 anos e 8 meses e o Igor de 9 meses. Em segundo lugar a escolinha para Elisa e a sua adaptação a nova língua, além da mudança climática que seria radical!
Bom, em relação à saúde estou extremamente satisfeita com o atendimento que estamos recebendo aqui em Linkoping, Suécia. Como vamos ficar nos pais por mais de um ano temos o personnummer, um numero pessoal como à carteira de identidade no Brasil. A partir do momento que este numero é registrado no sistema sueco toda a rede de serviços começa a funcionar, o posto de saúde do bairro, aqui chamado Vårdcentralen, entre em contato para marcar a primeira consulta no caso dos bebes e crianças pequenas; já se torna possível entrar na fila de espera para uma vaga na escola; se a mulher tem mais de 40 anos recebe uma carta em casa com a data da mamografia agendada e por ai vai, eles realmente são muito bons no atendimento de saúde, o que difere no Brasil em 2 aspectos: a qualidade e rapidez do sistema publico e não existe pronto atendimento para gripe por exemplo, a emergência só atende emergência mesmo e os outros casos tem que ligar no posto para agendar a consulta.
Um pouco mais da minha experiência com a saúde das crianças até o momento. A consulta de acompanhamento do bebe é realizada por uma enfermeira, bem qualificada que mede e pesa o bebe e conversa com a mãe sobre a rotina do bebe e aplica as vacinas orientadas pelo medico, sobre vacina é muito importante trazer a carteira de vacinação, pois é a partir dela que o medico irá definir quais vacinas o bebe irá tomar, as vacinas básicas obrigatórias na Suécia não são pagas, caso eu queira dar as outras vacinas do calendário brasileiro existe um local pago que aplica. Numa das consultas de rotina do Igor, conversei com a enfermeira sobre a Elisa que estava com prisão de ventre e ela me indicou uma medicação, que não precisa de receita para comprar, para minha surpresa 10 dias depois ela me ligou para saber se o remédio tinha sido bom para minha filha, dá para acreditar! Já precisamos de atendimento medico para o Igor e consegui a consulta para o mesmo dia, a medica que nos atendeu foi muito prestativa.
Agora sobre a escolinha, aqui chamada de Forskolan, tem uma fila de espera de aproximadamente 4 meses, pois o numero de crianças suecas cresceu mais rápido do que a quantidade de vagas, segundo a explicação local, entramos na fila em outubro e conseguimos a vaga da Elisa para inicio em fevereiro, numa escola no bairro vizinho. Para iniciar na escolinha fizemos 2 semanas de adaptação, neste período eu e o Igor acompanhamos a Elisa bem de perto, tendo a possibilidade de ver as crianças e os professores em ação e conhecer a rotina da escola. Na terceira semana ela começou a ficar sozinha. No Brasil Elisa ia numa escolinha Montessoriana de excelente qualidade e muito bem conceituada na cidade e a escola sueca não deixa nada a desejar, ambiente saudável, limpo, salas temáticas: pintura, brincadeira de casinha, boneca, lego, fantasias, corte e colagem e etc. e banheiro do tamanho da criança. A didática das professoras parece visar desenvolver a autonomia e o sentimento de segurança nas crianças. Confesso que só não fiquei tão satisfeita com a alimentação, pois servem salsicha até para os bebes, mas vou encarar este fato como diferença cultural local!
Além dos serviços de saúde e educação, a cidade de Linkoping e acredito que toda a Suécia é adaptada ao pedestre, ao ciclista (meio de transporte mais utilizado) e aos carrinhos de bebe, existem vias destinadas a este publico, onde não passam carros, por toda cidade. É possível ir para qualquer lugar a pé ou de transporte publico com o carrinho de bebe sem nenhum constrangimento, muito diferente do Brasil que temos que andar, muitas vezes, na rua porque o carrinho não passa na calçada. Essa facilidade das vias também possibilita a pratica de esportes, agora que a Elisa está indo na escolinha, eu posso correr empurrando o carrinho do bebe, mas para as mamães com bebes até seis meses a academia da Liu, Universidade de Linkoping, oferece aulas para as mamães fazerem com seus bebes.
Sobre passeios a Suécia é o país dos parquinhos, um mais lindo e mais bem elaborado que o outro, encantador, até o Igor bebezinho já balançou e brincou no parquinho, além das vias para caminhadas que dá para fazer agradáveis passeios outdoor. Mas também tem opções indoor para se divertir com os pequenos como o Simhall, que é uma piscina, climatizada com ondas, tobogã e área kids, tem também uns espaços de brincadeiras, como um pequeno parque de diversão. Em praticamente todos os restaurantes tem cadeirinha para bebes e crianças e trocador. Os suecos têm muitos filhos, o que mais se vê pela rua é uma família com um carrinho de bebe.
E por ultimo, mas não por isso menos importante, o clima! Tem um ditado sueco que diz que não existe tempo ruim, existe roupa inadequada é bem verdade, pois com as roupas certas, respeitando o sistema de “camadas” e os acessórios como: luva, gorro, cachecol é possível fazer passeios outdoor sem passar frio, além disso, existe um “saco” para colocar no carrinho de bebe que protege muito bem os bebezinhos e outra opção é colocar a pele de carneiro no assento do carrinho.
Bom, acho que é isso, maternar na Suécia não é difícil, basta se acostumar com o clima e com o ritual de por e tirar roupas da turminha toda!

Ivanice de Oliveira Maia”

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