Estudando na Suécia, por Gabriela Rangel

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“Olá. Meu nome é Gabriela e cheguei à Suécia há relativamente pouco tempo, no começo de Agosto. Estudei Engenharia Aeroespacial na UFMG, em Belo Horizonte, e um ano antes de me formar nem pensava em fazer um Mestrado. Foi por meio de muitas conversas com meu orientador que a ideia começou a germinar; mais precisamente, fui aos poucos convencida de que seria algo bom para mim.

Tendo decidido, por fim, encarar o mestrado e arranjar uma forcinha pra continuar na vida acadêmica por mais dois anos (o que não foi fácil, já que cheguei ao fim da graduação absolutamente exausta), ainda me faltava decidir onde. Já que nunca tinha feito nenhuma espécie de intercâmbio durante toda minha vida, sabia que gostaria muito da experiência de morar fora do país por algum tempo; infelizmente, o Brasil não oferece bolsas para Mestrados científicos (i.e., MSc)! Mesmo programas amplos como o Ciência Sem Fronteiras oferecem uma gama ínfima de mestrados profissionalizantes, e não achei, entre aqueles financiados pelo Brasil, nenhum programa no qual eu me encaixasse. Comecei imediatamente a procurar por universidades européias que oferecessem bolsas para alunos internacionais. Cheguei a procurar universidades canadenses também, mas sem sucesso algum. Durante minha longa busca, descobri que os países que se mostravam mais receptivos aos alunos internacionais – e que ao mesmo tempo ofereciam bons cursos em Engenharia Aeronáutica – eram a Holanda e a Suécia. O mesmo professor que me incentivou a cursar o mestrado já havia me indicado a LiU, e ao pesquisar mais sobre a universidade percebi que seria mesmo um ótimo lugar para mim. Não só a faculdade parecia ótima, mas também estava situada em uma cidade cheia de empresas do ramo aeronáutico! E ainda por cima oferecia bolsas especialmente reservadas a alunos internacionais.

O processo de admissão, principalmente quando tentando várias universidades ao mesmo tempo – afinal, mesmo tendo em mente aquela universidade “favorita”, o ideal é não apostar todas as fichas em um lugar só! – pode ser bastante cansativo. Foram longos períodos de espera e ansiedade. Quando veio o resultado, um pequeno problema… Apesar de eu ter recebido uma bolsa, ao meu curso só foram delegadas bolsas de 50%. Então, como aluna de Mestrado de fora da União Européia, eu ainda teria que pagar metade do tuition. Devo aqui agradecer à minha mãe, que assumiu o risco e fez um empréstimo para que eu pudesse vir. E o custo de vida? Bem… juntei o restinho de coragem que eu tinha depois dessa maratona toda e vim assim mesmo, e estou tentando conseguir um emprego por aqui, o que pode ser um pouco demorado pra quem não fala sueco fluentemete (ainda).

Apesar de tudo que dizem sobre os suecos – têm a fama de ser um povo educado, porém fechado e distante –, cheguei aqui no verão e o clima de recepção foi ótimo. A universidade é extremamente internacional, e não me sinto completamente como se estivesse em outro país. A cidade me cativou rapidamente, sendo uma cidade pequena, com os charmes que vêm junto. Ainda adoro ir ao centro passando pela pequena floresta que temos do lado de casa. Se tenho um conselho a qualquer um que esteja se mudando para fora do país, é que não se deixe intimidar pelas diferenças. Me perdi ao menos umas três vezes entrando na floresta pelo lugar errado, mas ia sozinha sempre que possível para aprender o caminho e conhecer lugares diferentes, por mais banais que fossem. Tive uma imensa dificuldade em fazer compras no supermercado, mesmo tendo o conhecimento básico da língua, simplesmente porque olhava pra todos os rótulos e não reconhecia nada. Mas depois de algumas semanas me acostumei, como acontece com todo mundo, e só se precisa de um pouquinho de paciência.

A universidade em si tem sido também uma ótima experiência (sem contar a quantidade de tradições malucas que têm por aqui, rs). Enquanto no Brasil também tive uma ótima universidade, com ótima infraestrutura, aqui tenho muito mais amparo nos aspectos práticos do aprendizado. Não temos somente trabalhos a fazer, mas um ótimo planejamento, com horários reservados, ótimos laboratórios e computadores, e a disposição dos professores e assistentes caso necessitemos de ajuda. O aprendizado aqui vem com a aplicação, o que pode ser difícil no início, mas gera um conhecimento mais sólido do que aquele obtido simplesmente com leituras e exames.

Enquanto ainda considero estar no meu período de adaptação, posso dizer que tem sido um período muito agradável, e não vejo a hora do frio chegar! E duas outras boas notícias a qualquer brasileiro que esteja pensando em vir pra cá: dá pra comprar leite condensado no supermercado, e o café vendido na Suécia é ótimo! ;)”10606621_805069636182449_5702839607236674627_n

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