Estudando na Suécia, por André Bittencourt

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“Eu vim para a Suécia em 2007 como aluno de intercâmbio durante a graduação. Na época, meu maior objetivo era o de realizar um estágio estudantil no exterior, trabalhando com tecnologias na área de automação e controle, que são minhas áreas de atuação principais. Antes de decidir pelo intercâmbio, apliquei para vagas de estágio em diferentes empresas pelo mundo, mas mesmo com cartas de recomendação obtive pouco sucesso. Para aumentar minhas chances, resolvi usar o intercâmbio acadêmico como um facilitador. Nesse momento, escolhi a Suécia pela alta qualidade acadêmica, por ter uma indústria de sistemas bem desenvolvida, contando com empresas como a Scania, SAAB e ABB. Além disso, na época o estudoera gratuito para alunos estrangeiros (os estudos continuam gratuitos para suecos e há oportunidades de bolsas para brasileiros) e a universidade oferecia muitas disciplinas, e até programas em Inglês.Também contou um pouco o fato de ser um destino mais exótico em comparação a outros países na Europa e América do Norte.

Eu não conhecia ninguém quando cheguei na Suécia e era minha primeira vez fora do Brasil. Durante os preparativos, tive muito auxílio da universidade que iria me receber e mesmo antes de sair já sabia onde iria morar

Eu morei em acomodação estudantil e fui muito bem recebido desde o primeiro dia. Haviam muitos outros estudantes de intercâmbio e logo fiz amizades com pessoas de todo o mundo. Não tive nenhuma dificuldade em me adaptar com a cultura, os estudos ou a sociedade. Foi uma sensação semelhante a quando saí da casa dos pais para ir estudar na faculdade, porém mais enriquecedora e em um estágio diferente da vida.

Eu sou do Sul do Brasil e tinha uma preocupação muito grande quanto ao frio e trouxe as roupas mais quentes que encontrei. Quando cheguei aqui eu percebi que passava mais frio no Brasil! As instalações aqui são muito mais preparadas pro frio, com vedação dupla e aquecimento. Os suecos dizem que não existe frio mas roupas inapropriadas pro frio. Com o tempo eu aprendi a como me proteger do frio e a gostar do inverno, mas minha avó não acredita e continua me mandando roupas de lã. A maior dificuldade talvez tenha sido com relação a escuridão, que em alguns lugares da Suécia perdura por boa parte do inverno. Em compensação, a experiência durante o verão é muito boa, com sol até altas horas e, por vezes, até mesmo com durante a meia noite.

Quanto ao idioma, os suecos aprendem Inglês desde cedo nas escolas e isso já acontece a algumas gerações. Além disso, os programas de TV nunca são dublados e há muita exposição social à midia de língua inglesa, hoje em dia muito através da internet. Isso significa que suecos entre 8 e 80 anos de idade serão em geral capazes de se comunicar muito bem em Inglês, independente da profissão da pessoa.

A Suécia também oferece cursos gratuitos de sueco para estrangeiros e há cursos de sueco oferecidos pela universidades para alunos matriculados.

Meu maior objetivo quando vim pela primeira vez era de realizar um estágio. Em menos de três meses, consegui 3 oportunidades diferentes, uma dentro da universidade e outras duas em empresas na Alemanha e Suécia. Todos esses estágios eram pagos, o que é comum por aqui e ajudou a viabilizar minha estadia por um período mais longo pois não tinha bolsa. Acabei optando pela opção na empresa sueca e trabalhei com o desenvolvimento de métodos para detecção de falhas em robôs industriais, no centro de pesquisa corporativa da empresa. Foi uma experiência excelente.

Depois do estágio, voltei ao Brasil para terminar algumas disciplinas.No último período da faculdade, quando fui a procura de oportunidades para o projeto de conclusão do curso, entrei em contato com o professor que supervisou esse estágio na Suécia pra pedir uma carta de recomendação. Ele acabou me convidando pra voltar pra Suécia e realizar meu trabalho com atividades de pesquisa junto a ele. Acabei voltando e durante meu período aqui fui convidado pra realizar um doutorado pela empresa com quem tinha realizado o estágio. Foi assim que comecei o doutorado na universidade de Linköping.

Sobre o método de ensino e avaliação, a lei que rege a operação das universidades exige que todo curso seja avaliado (anonimamente) pelos alunos. Esse feedback ajuda a identificar problemas e a aprimorar o conteúdo e são usados também pela instituição para controle de qualidade. Cursos com avaliações muito negativas podem inclusive ser descontinuados. Muitas disciplinas de graduação são desenvolvidas como resultado de cursos da pós-graduação e com vários exemplos práticos. Isso significa que o conteúdo oferecido a alunos de graduação fica mais próximo da fronteira do conhecimento e da inovação.Todo curso tem objetivos e forma de avaliação definidos de maneira bem clara na ementa, incluindo o total de horas de estudo esperadas pelo curso (e não somente o número de horas-aula), isso ajuda a evitar confusões e desapontamentos. Além de atividades práticas, há duas categorias do que no Brasil é identificado de forma geral como aula: palestras, que são ministradas por professores plenos para uma audiência grande onde o conteúdo e teoria é exposto; depois há lições, com classes muito menores (até 20 alunos) onde os alunos resolvem exercícios e tiram dúvidas com assistentes, em geral alunos de doutorado. Esse modelo viabiliza uma relação alta de supervisor por aluno enquanto ao mesmo tempo atinge um número grande de alunos de forma eficiente. A correção de provas é realizada de forma anônima, protegendo a privacidade do aluno e evitando predileções. Um dos fatores mais interessantes é o reconhecimento da carreira acadêmica. Mesmo alunos de doutorado recebem um salário confortável.

Procure se informar junto a sua universidade sobre convênios existentes( Scholarships and Financial Support da LIU). Aprenda bem o idioma inglês. Use as redes  sociais pra se conectar com pessoas que vivem ou já viveram na Suécia. Traga um estoque de farofa e brigadeiro!

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2 comentários em “Estudando na Suécia, por André Bittencourt

    Nanda Campos disse:
    18 de setembro de 2015 às 10:09

    André legal tua história na Suécia, especialmente pelo sucesso na universidade.
    Acho o máximo quando o doutorado é valorizado, meu marido concluiu aqui sem apoio algum – de trabalho e da instituição de ensino. Custeou toda a confecçao de seus experimentos de tese e ainda em jornada tripla, trabalho x doutorado x bebe recem nascido em casa 🙂
    Desculpa mas o que mais curti no texto foi a citação de que sua vozinha te manda roupas de lã – fofaaaaaa!
    E fiquei com peninha de vcs ai quanto a observação do brigadeiro e da farofa……
    Sucesso sempre!!! Vitorioso vc já é 😉

    Curtir

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