Estudando na Suécia, por Fabio Pertille

Postado em Atualizado em

Fábio, 28 anos. Estudante. Doutorado sanduíche.

“Estou na LIU há 6 meses. A oportunidade de vir para a Suécia surgiu a partir de um contato que eu tinha no Brasil na Embrapa Suínos e Aves (Concórdia,SC) e que mantinha certa parceria com o pessoal daqui.  Sendo assim, eu estabeleci um contato com o pesquisador “chefe” da Suécia por meio de um Pós-doc, que hoje é professor aqui também, e este pós-doc me enviou a papelada dizendo que aceitava meu estágio de um ano na Universidade. A partir disto apliquei 3 diferentes bolsas “Sanduíche” no Brasil: Ciência sem Fronteiras, PDSE (cota institucional) e FAPESP. Tive sucesso somente na PDSE, peguei um período bem ruim no Brasil em que a Universidade da USP estava falida e o Brasil no geral estava fazendo cortes orçamentários na educação (na verdade tive muita sorte do meu projeto ter sido aprovado na PDSE).

A partir disto comecei a fazer o pedido de visto para minha namorada (atual esposa) e para mim. O que eu apliquei foi um “Residence permits for visiting reasearchers” pelo site https://www.migrationsverket.se. Ou seja, eu e minha atual esposa fizemos união estável no Brasil e ela foi adicionada como minha “cohabitation” no VISTO. O interessante desta modalidade de visto é que ela tem permissão para “trabalhar” na Suécia e isto é muito importante, pois aqui na Suécia você não pode dar um “jeitinho Brasileiro”. Durante este mesmo período, desesperadamente eu procurava um lugar para morar. Tive a axcelente ajuda da “Administrator, International guests” da LIU, mas as opções que ela me mandava de moradias eram muito caras e totalmente fora do meu orçamento (considerando o valor da minha bolsa).

Comecei a enviar mensagens “padronizadas” em um site muito bom, que foi onde eu consegui o lugar que hoje estou morando na Suécia (http://www.blocket.se/). Mas eu mandava estas mensagens para todas as opções de estadia que apareciam, todos os dias, independete de ter foto ou não! Apenas 3 pessoas me responderam ao longo de 3 meses, 2 para dizer que já tinham alugado o lugar e uma para dizer que estava viajando para a China é que iría ficar um ano fora do país, exatamente o mesmo período que eu precisava ficar aqui, e foi esta opção que “escolhi”. Sendo assim, o pós-doc com quem eu iria trabalhar foi até o lugar para checar se era “ok” e o lugar realmente era e é muito bom.

Chegamos dia 28 de fevereiro aqui, no primeiro dia que tive que ir para a Universidade, com uma bicicleta quebrada, nevando, muito frio, sem roupas apropriadas, com inglês enferrujado, eu cofesso que me assustei e até voltei para casa assustado para pedir ajuda para minha esposa com o celular dela que tinha GPS.

A estadia na Suécia, na minha concepção se divide em 3 fases. A primera fase é a adaptativa, é tudo muito assustador, diferente, difícil, mas ao mesmo tempo é tudo muito lindo, organizado, você fica encantado com as arvores, com as casas, com os “corvos”, com tudo… é uma fase bem curta, não dura mais do que algumas semanas, pois o que é bom, a gente acostuma rapidinho não é?. A segunda fase é aquela que você começa a se acostumar,  gostar, gostar muito, adorar e não querer mais ir embora. E a terceira faze é a fase ruim, ter que voltar para o Brasil (não cheguei ainda nesta fase mas já estou começando a pensar).

O idioma Suéco é muito difícil, mas todos, todos mesmo falam no mínimo um inglês compreensível. Ou seja, se você tiver boca, você “vaia Roma” ;).

Eu ainda não peguei o período de solstício de inverno, que dizem que a falta de luz deixa você realmente com o humor alterado, mas eu peguei o solstício de verão e eu adorei. Os suécos dizem para mim: – Pois é, lá no Brasil você pode curtir a luz e o “verão” o ano todo. E a minha resposta é: – Pois é, mas muita gente não consegue aproveitar 1/3 do que vocês aproveitam aqui no verão. Eu explico porque: Suéco fica trancafiado em casa no período de baixa luminosidade e quando chega o verão, o pessoal tira a roupa e vai para a rua, vai para os lagos, churrasco na floresta, em fim, eles realmente aproveitam, pois sabem que não vai durar muito tempo. A idéia de sair do trabalho as 18h ir para um lago (maravilhoso), fazer um churrasco, nadar e poder curtir o sol até meia noite, para mim. E para finalizar esta parte de lazer, você pode sair na rua, no meio da floresta a hora que quiser sem a menor preocupação com roubo, isto realmente é algo que eu nunca tive no Brasil.
Eu ainda não vivi o inverno Suéco, mas estou louco para chegar e curtir a neve também.

Na área de pesquisa não tem nem o que falar, a visão de competição e ego inflado que os países latino americanos apresentam que é algo que acaba sempre acarretando em “estresse” para os pós graduandos é encarado diferente aqui. Aqui o doutorando é “employee”, isto quer dizer que ele tem todos os deveres e vantagens trabalhistas, entre estas vantagens é ter uma mesa, cadeira confortável, em fim, infraestrutura dígna para uma excelente condição de trablaho. E quando se fala em vantagem que advem do imposto pago, aí a Suécia manda super bem!!! A um mês atrás fui para o Jardim Zoológico de Kolmården com os empregados da LIU, para discutir diretrizes para o próximo semestre, em fim, para discutir alguns aspectos e na verdade mesmo, para curtir o passeio e melhorar a relação entre os empregados  (parece que eles fazem este tipo de atividade 3 vezes por ano).

Estou trabalhando muito aqui na Suécia (muito mesmo), mas eu trabalho com muita vontade, por que eu sei que o meu trabalho é super valorizado aqui, assim como o lazer, por que eu tenho condições dignas de trabalho. E eu pretendo voltar para a Suécia, se eu tiver oportunidade, depois do meu doutorado pois eu sei que as condições de progressão aqui são muito boas para quem quer trabalhr e ter uma vida digna e descente.

Bom, não tenho nenhuma crítica a respeito da LIU e da Suécia,  eu poderia escrever várias páginas descrevendo as coisas boas daqui. Mas acho que já deu para ter uma boa ideia.

Quem precisar de informações adicionais, fique a vontade em contactar-me.”

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Um comentário em “Estudando na Suécia, por Fabio Pertille

    Gustavo disse:
    23 de outubro de 2017 às 16:58

    Olá, Fábio. Tudo bem? Cara, muito legal o seu post. Acredito que agora você já tenha retornado ao Brasil e espero que tenha dado tudo certo.

    Estou com uma dúvida quanto ao visto e talvez você pode me ajudar. Você se inscreveu para o visto de Visiting researcher para fazer doutorado sanduíche? Este é o mais recomendado do que o de estudante?

    Pergunto isso pois estou a caminho da Suécia para fazer meu pós doutorado. Até o momento estou sem bolsa e, se não conseguir, vou sem mesmo (com financiamento próprio). É uma situação peculiar (parecida com a sua, acredito) uma vez que não temos nenhum vínculo oficial com a universidade da Suécia (não estamos matriculados em um PhD, por exemplo) e nem estamos indo a trabalho (não existe vínculo de trabalho com nenhuma instituição sueca). Como foi no seu caso?

    Abraços e obrigado pela ajuda.

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